Divã

Falando da depressão

Ela tem boa formação universitária, boa família, casa, carro, bom emprego, ganha bem, tem uma vida confortável, não lhe falta nada. Há tempos começou a chorar muito, não quer conversar com ninguém, não quer ir trabalhar, nada está bom para ela. Nos últimos meses engordou 10 quilos e come tudo o que vê pela frente, não aceita mais conversar sobre se isto ou aquilo faz mal à saúde. Não sabemos o que fazer pois, quando falamos que ela precisa reagir, desanda a chorar e se tranca no quarto. Quer somente ficar sozinha.  Esta é uma condição presenciada em diversos lares que são cercados por mitos, preconceitos, dúvidas, crenças diversas, críticas e conselhos que tanto afetam a pessoa vitimada por este triste quadro. O desconhecimento de como lidar com estas manifestações prejudica a busca de solução para uma doença que será prematuramente catalogada como depressão. Há vários sintomas que são provocados por falha da memória, cansaço excessivo, ganho de peso ou emagrecimento rápido com perda do apetite, dificuldade de manter a concentração, distúrbios do sono, baixa da autoestima e alterações no humor com consequente desejos de morrer.  Antes de concluir que é uma depressão, é melhor consultar um profissional da saúde mental que poderá ajudar na identificação da causa do transtorno, orientando para um tratamento mais adequado. Quando se trata de depressão, o tratamento multidisciplinar geralmente contribui para uma recuperação mais rápida e sua continuidade poderá eliminar esse transtorno massacrante. Geralmente as pessoas que convivem com o doente chegam a desprezar suas lamúrias e se afastam por não conseguirem ajudar na solução do sofrimento. Às vezes ficam com raiva por não entender que essa pessoa não consegue resolver suas angústias e se transforma num muro de lamentações, duro de aguentar, “enche o saco”. Tentam interferir dizendo que precisa ser feito isto ou aquilo: dando palpites a situação só piora, pois ninguém pode sentir a dor e o desespero que o depressivo sente e não consegue encontrar solução. Seu foco estaciona somente no problema, ficando tão potencializado que pode desenvolver uma hipocondria mental, buscando prazer no sofrimento. Depressão não é frescura, é afecção mental que produz uma neurose aguda que pode levar à loucura. Sem uma continuidade nas terapias frequentes explodirá inesperadamente, levando a resultados irreparáveis, podendo culminar com a psicossomatização de outras doenças para as quais não se consegue encontrar diagnóstico clínico, aumentando desejo de morrer para se livrar de tamanha dor. Para lidar com o depressivo é necessário uma dose muito grande de amor e neutralidade. É preciso respeitar os sentimentos sem se envolver, tendo paciência para ouvir as lamentações, sem querer dizer como ela deverá se comportar, sem criticar, sem dar exemplos de outras pessoas e, sutilmente, encaminhar para o tratamento.

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