Direto de Brasília

Por propostas esdrúxulas e decisões equivocadas, senadores e deputados são obrigados a recuar.

Meus caros leitores, é impressionante como o pessoal “da turma”, como se diz na gíria, “ joga na parede para ver se cola”, sem a menor cerimônia, que chega a ser hilário quando, pegos na artimanha, tem que arrumar desculpas sobre o recuo necessário. Assim foi ontem quando o senador Romero Jucá foi “solicitado” pelo Presidente do Senado, Eunício Oliveira e com a concordância do Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que retirasse uma proposta sua de livrar de penalidades por atos cometidos fora do exercício do mandato, os detentores destes cargos, o que inviabilizaria que assumirem a Presidência da República. Era tão escancarada esta proposta de privilégio que nem os possíveis beneficiários agüentaram e pediram a retirada. O mesmo está acontecendo com a decisão dos mesmos senadores de incluir parentes e amigos de políticos no benefício do repatriamento de dinheiro escondido no exterior. Na quarta-feira os deputados derrubaram esta decisão incluída no projeto aprovado pelo Senado em 2016. A proposta em si já é suspeita de livrar do crime de sonegação fiscal aqueles que mandaram e mantiveram dinheiro, provavelmente resultado de ilícitos, lá fora. Há quem justifique a medida em nome de governadores e prefeitos necessitados, receberem parte da grana que retorna ao Brasil. Qualquer análise de bom senso diria que, descoberta a existência deste dinheiro lá fora, se não comprovada a sua origem, fosse simplesmente confiscada e os pretensos donos, serem penalizados pela sonegação. No mínimo. Experimente sonegar alguma informação na Declaração do Imposto de Renda se você, assalariado, não será alcançado pelas garras do leão. E multado! Com a aprovação da proposta do senadores e , mesmo que modificada pelos deputados, simplesmente se “esquenta” a maior parte de dinheiro suspeito. Há quem defenda a proposta e outros que ainda brigam para incluir os parentes e amigos na malandragem. E para finalizar e ainda com relação a confusão de tentar impor o que pode ser legal mas peca pela imoralidade, o senador Eunício Oliveira mandou devolver à Câmara o monstro aprovado naquela madrugada fatídica da Câmara em que as medidas de combate à corrupção, com mais de dois milhões de assinaturas, foram  simplesmente desfiguradas. O Ministro do STF, Luis Fux anulou a decisão e determinou que elas retornassem a Câmara. Com a singeleza de um inocente, Rodrigo Maia disse que não sabe o que fazer. Mas com a mesma inocência singela, disse que vai aguardar a decisão do plenário do Supremo que deverá votar o relatório de Luis Fux. Sugiro ao Presidente da Câmara que tenha um lampejo de humildade e de coragem, que simplesmente reconheça que o que foi feito naquela madrugada foi uma ofensa à opinião pública e simplesmente ache uma maneira de anular a besteira. E que encontre como Jucá e outros, uma face de carnaúba com óleo de peroba, para explicar o recuo tático e estratégico. No mínimo. Direto de Brasília, José Woitechumas.     

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